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Apostila 28

Movimentos
Estudo Teolgico sobre O MOVIMENTO PURITANO E JOO CALVINO
Parte I
O MOVIMENTO 
PURITANO E JOO CALVINO

Este ensaio tem por objetivo demonstrar que o movimento puritano ingls estava dando prosseguimento s nfases teolgicas e prticas do reformador Joo Calvino.
Em tempos recentes, tem havido, em parte devido  influncia neo-ortodoxa, uma tentativa de colocar os credos histricos reformados posteriores em oposio a Calvino,
numa tentativa de desacredit-los. Essa tentativa ser brevemente examinada no presente artigo. O mesmo encerra com uma exposio da piedade reformada, pois ela 
permanece como um perene modelo de reforma e avivamento.

I. UM POUCO DE HISTRIA

A origem do puritanismo est ligada s confuses amorosas do rei Henrique VIII (1509-47)1 e  chegada do protestantismo continental  Inglaterra. O movimento puritano, 
em seus primrdios, foi claramente apoiado e influenciado por Joo Calvino (1509-1564),2 que a partir de 1548 passou a se corresponder com os principais lderes 
da reforma inglesa. Em 1534  promulgado o Ato de Supremacia, tornando o rei o "cabea supremo da Igreja da Inglaterra." Com a anulao do seu casamento com Catarina 
de Arago, sobrinha de Carlos V, o rei Henrique VIII e o Parlamento ingls separam a Igreja da Inglaterra de Roma, em 1536. Nesse ano, Miles Coverdale publicou a 
Bblia completa em ingls. Os livros de Lutero circulavam livremente em Oxford e Cambridge. A princpio, Henrique VIII buscou favorecer a Reforma, mas depois, de 
1539 a 1547, moveu uma perseguio aos protestantes. Em 1539, foram aprovados pelo Parlamento os Seis Artigos, que tornavam obrigatria a crena em doutrinas caractersticas 
da Igreja Catlica Romana: a transubstanciao, a comunho sob uma espcie, o celibato e a confisso auricular. Na teologia, a Igreja continuou fiel a Roma. O rei 
morreu doutrinariamente catlico romano. A Reforma, ento, teve incio na Inglaterra pela autoridade do rei e do Parlamento.

Em 1547, Eduardo VI, um menino muito enfermo, tornou-se rei. A Reforma protestante avanou rapidamente na Inglaterra, pois o Duque de Somerset, o regente do trono, 
simpatizava-se com a f reformada. Naquele mesmo ano, o Parlamento autorizou os leigos a tomarem o clice da comunho e repeliu os Seis Artigos. Em 1549, legalizou 
o casamento dos clrigos e determinou que os cultos no mais deveriam ser em latim, mas em ingls.3 Thomas Cranmer, o grande lder da Reforma na Inglaterra, publicou 
o Livro de Orao Comum, dando ao povo a sua primeira liturgia em ingls.4

Maria Tudor, catlica romana, tornou-se rainha em 1553. Assessorada pelo Cardeal Reginald Pole, em 1554 ela restaurou a sua religio. Em 1555, intensificou a perseguio 
os protestantes. Trezentos deles foram martirizados, entre eles, o arcebispo de Canturia, Thomas Cranmer, e os bispos Latimer e Ridley.5 Oitocentos protestantes 
fugiram para o continente, para cidades como Genebra e Frankfurt, onde absorveram os princpios doutrinrios dos reformadores continentais.6

Em 1558, aos 25 anos, Elizabete I ascendeu ao trono e estabeleceu o "Acordo Elizabetano," que era insuficientemente reformado para satisfazer queles que logo seriam 
conhecidos como "puritanos." Em seguida, Elizabete promulgou o Ato de Uniformidade (1559), que autorizou o Livro de Orao Comum e restaurou o Ato de Supremacia.7 
Em 1562 foram redigidos os Trinta e Nove Artigos da Religio, que so o padro histrico da Igreja da Inglaterra, e a partir de janeiro de 1563 foram estabelecidos 
pelo Parlamento como a posio doutrinria da Igreja Anglicana (juntamente com o Livro de Orao Comum, que  catlico, mas purgado de seus elementos supersticiosos). 
Como teste de ortodoxia, os estudantes de Oxford tinham que subscrever os Artigos, assim como todos os ministros e professores de religio. Em Cambridge, as leis 
no eram to rgidas.

Em torno de 1567-68, uma antiga controvrsia sobre vestimentas atingiu seu auge na Igreja da Inglaterra. A questo imediata era se os pregadores tinham de usar os 
trajes clericais prescritos. Entretanto, essa controvrsia era apenas um smbolo da questo maior a respeito de cerimnia, ritual e liturgia na igreja, os "trapos 
do papado." A controvrsia marcou uma crescente impacincia entre os puritanos8 com relao  situao de uma igreja "reformada pela metade." Thomas Cartwright, 
professor da Universidade de Cambridge, perdeu sua posio por causa de suas pregaes sobre os primeiros captulos de Atos, nas quais argumentou a favor de um cristianismo 
simplificado e uma forma presbiteriana de governo eclesistico. A primeira igreja presbiteriana foi a de Wandsworth, fundada em 1572.9 Um pouco antes disso, em 1570, 
Elizabete foi excomungada pelo Papa Pio V.

Elizabete morreu em 1603, sem deixar herdeiros. Ela indicou como seu sucessor Tiago I, filho de Maria Stuart, que j governava a Esccia. Quando o rei foi coroado, 
os puritanos, por causa da suposta formao presbiteriana do rei, inicialmente tiveram esperana de que sua situao melhorasse.

Para enfatizar sua esperana eles lhe apresentaram, quando de sua chegada em 1603, a Petio Milenar, assinada por cerca de mil ministros puritanos, em que pediam 
que a igreja anglicana fosse completamente "puritana" na liturgia e administrao.10

Em 1604, encontram-se com o novo rei na conferncia de Hampton Court para apresentar seus pedidos. O rei ameaou "expuls-los da terra, ou fazer pior," tendo dito 
que o presbiterianismo "se harmonizava tanto com a monarquia como Deus com o diabo."11 Em 1620, um grupo de puritanos congregacionais12 emigrou para a colnia de 
Plymouth, Massachusetts, a bordo do famoso Mayflower.13

Em 1625, Carlos I, opositor dos puritanos, foi coroado rei. Em 1628, William Laud tornou-se bispo de Londres (em 1633 foi nomeado Arcebispo de Canturia) e empreendeu 
medidas severas para eliminar a dissidncia da Igreja Anglicana. Ele buscou instituir prticas cerimoniais consideradas "papistas," alm de ignorar a justificao 
pela f, por causa de suas nfases arminianas, oprimindo violentamente os puritanos e forando-os a emigrarem para a Amrica. Em 1630, John Winthrop liderou o primeiro 
grande grupo de puritanos at a Baa de Massachusetts e em 1636 foi fundado o Harvard College.14 Laud tentou impor o anglicanismo na Esccia, s que isto degenerou 
num motim que serviu para aliar puritanos e escoceses calvinistas.15 Em 1638, os lderes escoceses reuniram-se numa "Solene Liga e Aliana," e seus exrcitos marcharam 
contra as tropas do rei, que fugiram. Em 1640, o Parlamento restringiu o poder do rei Carlos I. As emigraes para a Nova Inglaterra estacionaram consideravelmente.16 
A Assemblia de Westminster,17 assim chamada por reunir-se na Abadia de Westminster, templo anglicano de Londres, foi convocada pelo Parlamento da Inglaterra em 
1643 para deliberar a respeito do estabelecimento do governo e liturgia da igreja e "para defender a pureza da doutrina da Igreja Anglicana contra todas as falsas 
calnias e difamaes."  considerada a mais notvel assemblia protestante de todos os tempos, tanto pela distino dos elementos que a constituram, como pela 
obra que realizou e ainda pelas corporaes eclesisticas que receberam dela os padres de f e as influncias salutares durante esses trezentos anos.18

A Assemblia era constituda de 121 clrigos e 30 membros do Parlamento. Entre eles se encontravam homens de vasta e profunda erudio teolgica, alm de se distinguirem 
pelo seu ardor religioso e pelo seu carter (...). Encontravam-se episcopais, entre os quais o arcebispo [James] Ussher, os erastianos, que entendiam com Erastus, 
de Heidelberg, que o Estado devia ser a sede final da autoridade eclesistica, a cujo grupo pertencia o popular e erudito John Lighfoot, autor das clebres Horae 
Hebraicae e Talmudicae, os independentes (ou congregacionais), incluindo Thomas Goodwin, mais tarde capelo de Cromwell, [e] Philip Nye, regressados do exlio na 
Holanda, os presbiterianos [Edmund Calamy, Thomas Gataker, Edward Reynolds e Herbert Palmer] (...). O moderador nomeado pelo Parlamento foi o Dr. William Twisse 
[ele mesmo um presbiteriano], homem dos mais clebres de seus dias pela sua erudio teolgica, coroado de honras na Universidade de Oxford e conhecido em toda a 
Europa pelos seus escritos.19

Havia tambm oito representantes da Esccia, entre eles, Samuel Rutherford, professor de teologia e deo do St. Mary's College em St. Andrews, um dos mais populares 
pregadores daquele pas. Estes eram altamente influentes, mas no tinham direito a voto. A Esccia era aliada do Parlamento por um tratado, a "Solene Liga e Aliana."20

Apesar das diferenas nos conceitos de governo eclesistico e nas relaes da Igreja com o Estado, havia uma real unanimidade a favor de uma posio consistentemente 
calvinista, rejeitando como erros o arminianismo, o catolicismo romano e os sectrios (diggers, fifth-monarquians, levellers, quakers). A Confisso de F de Westminster, 
completada em dezembro de 1646,  a ltima das confisses reformadas clssicas e decididamente a mais influente no mundo de fala inglesa e mesmo alm dele. Richard 
Baxter, que no participou da Assemblia, a seu modo um gigante entre os puritanos, deu seu testemunho:

Os telogos a congregados eram homens de grande erudio, piedade, capacidade ministerial e fidelidade (...) e, segundo a informao de toda histria a esse respeito 
e de outras fontes de evidncia, o mundo cristo nunca teve, desde os dias apostlicos, um snodo de telogos mais excelente do que este e o Snodo de Dort.

Embora tenha regido a Igreja da Inglaterra apenas por um breve perodo, a Confisso de F foi adotada de um modo geral por presbiterianos britnicos, escoceses e 
americanos, bem como por muitos grupos congregacionais e batistas.21

Em 1645, Laud foi executado e irrompeu uma guerra civil. Graas  habilidade militar de Oliver Cromwell, os "Ironsides" (a cavalaria puritana bem treinada e disciplinada), 
que constituam o padro do exrcito parlamentar (o New Model Army), derrotaram o exrcito do rei, na batalha de Naseby. A guerra civil terminou no ano seguinte 
e a forma episcopal de governo eclesistico foi abolida da Igreja da Inglaterra. Em 1649, Carlos I foi executado e Oliver Cromwell, um congregacional, assumiu o 
papel principal no governo ingls, at sua morte em 1658. Como Lorde Protetor da Inglaterra, Cromwell, no satisfeito com o controle presbiteriano do Parlamento, 
o dissolveu, com o apoio do exrcito, de maioria congregacional.22 Ele era tolerante em assuntos de religio e ao morrer deixou um herdeiro fraco demais para substitu-lo.

Em 1660, Carlos II ascendeu ao trono, a monarquia foi restaurada na Inglaterra e a constituio poltica episcopal foi restabelecida na Igreja Anglicana. Atravs 
de um novo Ato de Uniformidade (o infame Cdigo Clarendon), em 1662, o uso exclusivo de um Livro de Orao Comum revisado foi reforado, enquanto mais de dois mil 
pastores puritanos foram demitidos ou destitudos de suas parquias. Entre eles estavam Manton, Owen, Goodwin, Burgess, Baxter, Calamy, Poole, Caryl, Charnock, Gouge, 
John Howe, Vincent, Flavel e Philip Henry - o pai de Mathew Henry, o famoso comentarista da Bblia. Quem no fosse anglicano no poderia colar grau nas Universidades 
de Oxford e Cambridge, e isto ocasionou a fundao de muitas academias no-conformistas.23 Tal fato marcou o fim do perodo puritano, iniciando-se ento o "no-conformismo."

O puritanismo no conseguiu substituir as estruturas de plausibilidade que o anglicanismo ofereceu  nao inglesa. As estruturas sociais anglicanas permaneceram, 
em tese, as mesmas do catolicismo romano, expurgado de suas supersties mais escandalosas. Apenas para uma pequena e influente minoria esta situao no era satisfatria, 
e esse grupo eram os puritanos. Eles perderam as grandes batalhas pblicas que enfrentaram, mas legaram um testemunho que, com o no-conformismo, transformou a nao 
inglesa a longo prazo. Em todos esses eventos, o apoio de Calvino ao movimento de reforma da Igreja na Inglaterra no foi apenas circunstancial, atravs de escritos 
e cartas endereadas  primeira gerao de reformadores britnicos, mas tambm se verificou atravs de uma herana teolgica de grande influncia para as geraes 
puritanas subseqentes (em suas diversas tradies: presbiteriana, congregacional e batista), estabelecendo, como veremos abaixo, um padro de ortodoxia e piedade 
que atinge todas as esferas da vida.

II. DE NOVO, A NEO-ORTODOXIA

H uma regra em metodologia da pesquisa que diz que "as concluses no devem exceder as fontes." Vincular o surgimento do pentecostalismo ao movimento puritano (ou 
a qualquer sistema teolgico subjetivista)  ser vtima desse mal. As concluses, ento, no so deduzidas das fontes, mas lhes so impostas. Basta observar que 
nos pases em que a f reformada foi a religio oficial, o pentecostalismo no tem uma posio de destaque. Isto acontece na Esccia, no Pas de Gales e na Holanda, 
por exemplo.24 As razes do movimento pentecostal se encontram, na verdade, no metodismo arminiano e em diversos movimentos de santidade surgidos nos Estados Unidos 
no sculo XIX. 25 

 inegvel que Karl Barth (1886-1968) foi grandemente responsvel pelo renovado interesse nos reformadores, principalmente Lutero e Calvino, mas ele, assim como 
Emil Brunner (1889-1966), incorreram em outro erro, o de reinterpretarem os ensinos dos reformadores segundo seus prprios pressupostos, fazendo os reformadores 
dizerem mais do que eles ensinaram, distorcendo o seu pensamento, alm de coloc-los em oposio aos seus herdeiros, os puritanos.26 Isto fica bem claro ao se estudar 
o texto de Barth, "A eleio de Deus em graa."27 Mesmo usando os reformadores e confisses de f da Reforma, as concluses a que ele chegou so opostas  posio 
reformada como exposta nos Cnones do Snodo de Dort, de 1618-19.28 Alm deles, Jack Rogers (professor do Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos), no campo 
das Escrituras,29 e Thomas F. Torrance (professor de Dogmtica na Universidade de Edimburgo at 1952), no campo da salvao,30 tentaram colocar a Confisso de Westminster 
contra Calvino. Entretanto, o testemunho de John Owen (1616-1683), o maior telogo ingls, que representa a principal corrente puritana, ope-se a essa reinterpretao. 
 digno de nota o que Packer diz dele:

Acerca de seu contedo, basta dizer que, quanto a seu mtodo e substncia, Owen nos faz lembrar freqentemente Calvino, e tambm, por muitas vezes, as Confisses 
de Westminster e de Savia (esta ltima, de fato,  apenas uma leve reviso da de Westminster, principalmente pelo prprio Owen), e por vezes seguidas as trs coisas 
se confundem.31

Ento, em vrios pontos, aqueles que acriticamente aceitam essa posio tm cometido erros. Por exemplo, ao afirmar-se que os puritanos ressuscitaram o temor do 
diabo,32 firmando neles a gnese da cosmologia pentecostal, esto sendo ignorados dois pontos bsicos: a fonte do mal, para os puritanos, era a trade maligna (uma 
expresso de Lutero) - o mundo, a carne e o diabo (a caricatura maligna do Deus Trino, Pai, Filho e Esprito Santo) -, e nessa arena eles travaram a sua guerra 
espiritual. Antes disto, os reformadores tambm lidaram com estes inimigos. Basta ler sobre as Anfechtungen de Lutero33 e a exposio de Calvino sobre Satans em 
sua relao com a Providentia Dei.34 Em todos eles, veremos a exposio do que Gustaf Auln (1879-1978) chamaria mais tarde de Christus Victor.

Uma outra acusao feita aos puritanos  que distorceram o ensinamento de Calvino quanto  certeza de salvao.35 Mas  preciso notar que, sobre como ter certeza 
da salvao, os puritanos lidaram com mais um ponto doutrinrio que entrava em cena, a expiao limitada ou particular. Ao entender que o Evangelho no nos chama 
ao arrependimento e  f baseados no alcance da expiao,36 os puritanos buscaram outro meio de ter a certeza da salvao. Ento, eles demonstraram biblicamente 
que h uma distino entre a "F Salvadora" e a "Certeza da Graa e da Salvao." Isto est afirmado na Confisso de Westminster,37 em consonncia com o que Paulo 
e Pedro afirmam, por exemplo, em Filipenses 2.12-13 e 2 Pedro 1.10. O Breve Catecismo afirma que a "justificao  um ato da livre graa de Deus, no qual ele perdoa 
todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de si, somente por causa da justia de Cristo a ns imputada, e recebida pela f," e santificao  a "obra 
da livre graa de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para 
a retido."38

Os puritanos, ento, no fizeram uma confuso entre justificao e santificao como alguns podem querer impor a eles e como ficou acima demonstrado. Essa falsa 
compreenso poderia ser sanada com uma consulta  referida Confisso e aos escritos dos mesmos. Os ministros puritanos tambm fizeram uma clara distino entre os 
diversos usos da Lei Moral (usus legis civilis, usus theologicus legis e usus didathicus legis), em suas controvrsias com os diversos grupos antinomistas de sua 
poca.39 Mas toda confusa tentativa de vincular os puritanos com o pentecostalismo cai por terra ao estudarmos a relao entre a Palavra e o Esprito na teologia 
puritana.40 Eles trabalhavam com o seguinte silogismo: "Se h novas revelaes, as Escrituras no so suficientes. Se as Escrituras so perfeitas, ento no existe 
necessidade de novas revelaes." Eles se opuseram conscientemente aos catlicos, com seu apego s tradies; aos socinianos, com sua racionalizao barata; e aos 
quakers, com seu ensino sobre a "luz interior," estes sim, precursores dos pentecostais e carismticos. Os puritanos sabiam que s o Esprito Santo, ligado  Palavra, 
poderia salvar pecadores, e por isto foram pregadores expositivos, doutrinrios e prticos, lidando com aquilo que eles chamavam de "casos de conscincia." Eles 
se opuseram quilo que, em nosso tempo, foi chamado por Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) de "graa barata," porque esta no  a graa verdadeira - os puritanos no 
diminuram as exigncias do evangelho ao pecador! Alm do mais, eles se opuseram ao semi-pelagianismo, e para confirmar isto basta ler os seus sermes evangelsticos.41 
Eles no apenas seguiram Calvino em suas nfases teolgicas, mas aprofundaram sua compreenso evangelstica.42 O sistema teolgico dos puritanos, longe de ser centrado 
no homem,  centrado em Deus, o Senhor Deus dos Exrcitos, que tem o seu trono no cu! Eles nos lembram que "o fim principal do homem  glorificar a Deus e goz-lo 
para sempre!"

III. " CORRETO QUE DEDIQUEMOS NOSSA VIDA  SUA GLRIA"

 assim que comea o Catecismo de Genebra, escrito por Calvino em 1541. Com essa compreenso, os puritanos - dentro da tradio reformada - lutaram para glorificar 
a Deus no trabalho, sexo e casamento, no tratamento com o dinheiro, na famlia, na pregao, na vida da igreja, no culto, na educao, na ao social e no estudo 
das Escrituras.43 Em tudo isto, eles viam a Deus na esfera comum: "A viso puritana de santidade do comum jazia em parte num extraordinrio senso da presena de 
Deus."44 No h nada que esteja mais distante da realidade do que as modernas caricaturas dos puritanos. Eles detestavam o moralismo, eram alegres e livres, "novas 
criaturas." Douglas Wilson diz, citando C.S. Lewis:

"Devemos imaginar estes puritanos como o extremo oposto daqueles que se dizem puritanos hoje; imaginemo-los jovens, intensamente fortes, intelectuais, progressistas 
e muito atuais. Eles no eram avessos a bebidas com lcool; mesmo  cerveja, mas os bispos eram a sua averso." Os puritanos fumavam (na poca no sabiam dos efeitos 
danosos do fumo), bebiam (com moderao), caavam, praticavam esportes, usavam roupas coloridas, faziam amor com suas esposas, tudo isto para a glria de Deus, o 
qual os colocou em posio de liberdade.45

O que quer que eles fossem, no eram soberbos, melanclicos ou severos. Nem mesmo seus inimigos os taxaram assim! Eles olharam a vida atravs da lente ampla da soberania 
de Deus sobre todas as reas da vida, como nos diz Richard Baxter: "No podes pensar nos vrios lugares em que viveste e lembrar de que em cada um deles [ele] teve 
suas diversas misericrdias?" 46 Toda a vida  de Deus e sua piedade no era monstica, nem mstica, nem pietista, mas, no bom sentido da palavra, "mundana."47 Christopher 
Hill, professor da Universidade de Oxford, ele mesmo um marxista, afirma:

os homens comentaram amide o aparente paradoxo de um sistema baseado na predestinao e que suscita em seus adeptos uma nfase sobre o esforo e a energia moral. 
Uma explicao para esse fato postula que, para o calvinista, a f se revela por si mesma atravs das obras e que, portanto, o nico modo pelo qual o indivduo poderia 
ter certeza da prpria salvao seria examinar cuidadosamente seu comportamento noite e dia, a fim de ver se ele, de fato, resultava em obras dignas de salvao 
(...). Os eleitos eram aqueles que se julgavam eleitos, pois possuam uma f interior que os fazia sentirem-se livres, quaisquer que fossem suas dificuldades externas.48

A doutrina da providncia, assim como a da predestinao, no  a doutrina central da f reformada,49 mas  um importante impulsor do cristo em sua relao com 
o mundo, com o mal e com o prprio Deus. O calvinismo ento era mais do que um credo; era uma cosmoviso que abrangia todas as reas da vida, tornando os puritanos 
ativos e corajosos instrumentos de transformao institucional. Hill, intensamente interessado no "el revolucionrio" que a doutrina da providncia legou aos puritanos, 
afirmou:

Aqueles que mais prontamente aceitaram o calvinismo eram homens cujo modo de vida se caracterizava pela atividade. (...) amparados, ento, por uma viso da vida 
que os ajudava nas necessidades cotidianas da existncia econmica; conscientes daquele liame que os unia aos que compartilhavam de suas convices; percebendo-se 
a si mesmos como uma aristocracia do esprito, contra quem os aristocratas desse mundo eram uma nulidade; fortalecidos pelas vitrias terrenas que esta moral ajudava 
a pr em execuo, como poderiam os puritanos deixar de acreditar que Deus estava com eles e eles com Deus? Ao adotarem essa crena, como poderiam deixar de lutar 
com todo seu empenho?50

Eles caminharam em estreita faixa de terra, equilibrando-se entre a soberania absoluta de Deus e a responsabilidade moral do homem, afirmando-as vigorosamente. Isso 
os fazia agir diante de qualquer dificuldade com esperana, buscando, de forma alegre, dar-se em auto-sacrifcio, em obedincia radical ao Senhor Deus.

IV. SUA VALIDADE PERMANENTE

"Em coisas essenciais, unidade; nas no-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade." Esta frase  atribuda alternadamente a Peter Meiderlin, Gregor Franke 
e Richard Baxter, respectivamente luterano, calvinista e anglicano.51 O senso de unidade e diversidade no corpo de Cristo pode ser bem apreciado nos estudos de grandes 
homens que honraram a Deus com seus pensamentos a respeito dele, sendo nossos companheiros na igreja universal do nosso Senhor. No  difcil perceber diferenas 
significativas entre Agostinho,52 Lutero e Calvino; Owen, Baxter53 e Ames;54 Edwards e Whitefield (estes dois ltimos travaram uma luta hilria sobre "comunicaes 
imediatas do Esprito," Edwards rejeitando-as e Whitefield apoiando-as!),55 mas podemos estud-los com grande proveito, tendo-os como pais na f, por uma razo vital: 
naquilo que era central ao Evangelho, eles estavam de acordo.56

Klass Runia, professor de Teologia Prtica, emrito, da Universidade Teolgica da Igrejas Reformadas, em Kampen, na Holanda, disse: "O Ocidente no precisa de avivamento, 
mas de reforma."57 No precisamos, entretanto, colocar ambos em oposio, pois reforma  a descoberta da Palavra de Deus, e avivamento  uma renovao da vida da 
igreja.58 Precisamos, ento, dos dois juntos! Alguns tentam maldosamente caricaturizar o desejo de reforma e avivamento, impondo ao primeiro o significado de "moralidade" 
e ao segundo o de "experincia mstica." Isto lembra os ataques de Charles Chauncy ao avivamento comeado com as pregaes de Theodore Frelinghuysen, Gilbert Tennent 
e Jonathan Edwards na Nova Inglaterra.59  interessante notar, como um alerta, que Chauncy e aqueles que o apoiavam, romperam com a f reformada e comearam a promover 
o arminianismo, e finalmente o unitarismo. No podemos separar a doutrina da piedade reformada e puritana! Foram suas compreenses doutrinrias que produziram tal 
testemunho! Os puritanos, ento, nos ensinam a ter um sentimento de dependncia do Esprito, pois eles conheciam sua prpria incapacidade de salvar uma alma, a complexidade 
da converso e sabiam que a pregao  o nico meio de chamar os eleitos. Por isto, os puritanos eram homens de orao incessante, que lutavam com Deus e buscavam 
a santidade em toda a vida. Eram santos e telogos e sabiam que seu trabalho no era vo no Senhor! Podemos discordar dos puritanos em alguns pontos, mas, em meio 
 grande crise que enfrentamos como igreja evanglica brasileira,60 em meio a cismas e heresias, a iniciativa de redescobri-los, e a seus escritos,  uma saudvel 
lufada de ar nestes dias laodicenses (Ap 3.14-22), como forma de promover reforma e avivamento!

Aps um casamento fracassado com Catarina de Arago, filha dos reis catlicos de Espanha (da qual nasceu Maria Tudor), na nsia de ter um filho homem, Henrique VIII 
veio a casar-se outras cinco vezes, deixando como herdeiros Eduardo VI (filho de Jane Seymour) e Elizabete I (filha de Ana Bolena). Ver Justo L. Gonzlez, Uma Histria 
Ilustrada do Cristianismo - A Era dos Reformadores (So Paulo: Vida Nova, 1989), 121-128. Para um estudo detalhado sobre os casamentos de Henrique VIII, ver Antonia 
Fraser, As Seis Mulheres de Henrique VIII (Rio de Janeiro: Record, 1995). 
Philip E. Hughes, "Calvino e a Igreja Anglicana," em W. Stanford Reid, ed., Calvino e sua Influncia no Mundo Ocidental (So Paulo: CEP, 1990), 209-242. Calvino 
tambm recomendou como professores, para apoiar a reforma inglesa, Peter Martyr Vermigli (para a Universidade de Oxford), Bernardino Ochino e Martin Bucer (para 
a Universidade de Cambridge). Entre 1556 e 1559, John Knox (1514?-1572) e vrios outros reformadores ingleses estudaram com Calvino em Genebra, durante o reinado 
de Maria, a "Sanguinria." Ver o captulo "John Knox: Fundador do Puritanismo," em D. M. Lloyd-Jones, Os Puritanos: Suas Origens e Sucessores (So Paulo: PES, 1993), 
268-288. Ver tambm a "Dedicatria ao Nobilssimo e Cristianssimo Prncipe Eduardo, Duque de Somerset, Conde de Hertford, Protetor da Inglaterra e Irlanda", em 
Joo Calvino, As Pastorais (So Paulo: Paracletos, 1998), 13-16. Para a correspondncia entre Calvino e o rei Eduardo VI, o arcebispo Thomas Cranmer, o Duque de 
Somerset, William Cecil, John Knox e a igreja inglesa em Frankfurt, na Alemanha, ver Letters of John Calvin - Selected from the Bonnet. 
E. E. Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos (So Paulo: Vida Nova, 1990), 270. 
Gonzlez, A Era dos Reformadores, 128-130. 
Latimer encorajou Ridley, na fogueira, com as seguintes palavras: "Fique confortado Mestre Ridley (...); ns veremos este dia lanar uma tal luz sobre a Inglaterra, 
pela graa de Deus, como nunca ocorrera antes" (Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 271). 
Gonzlez, A Era dos Reformadores, 130-133. Destes, 233 foram membros da Igreja inglesa em Genebra, liderada por John Knox e Christopher Goodman. Ver R. T. Kendall, 
"A Modificao Puritana da Teologia de Calvino," em W. Stanford Reid, ed., Calvino e Sua Influncia no Mundo Ocidental, 246. 
Ibid., 133-135. Esse Ato fez de Elizabeth "o nico governante supremo deste reino," ttulo bem menos agressivo que o de Henrique VIII, "chefe supremo da igreja." 
Ver Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 271. 
Segundo J. I. Packer, este termo foi aplicado extensivamente a pelo menos cinco grupos de pessoas - primeiro ao clero que tinha escrpulos sobre certas cerimnias 
e frases de Livro de Oraes; segundo, aos defensores do programa de reformas entre os presbiterianos, ventilado por Thomas Cartwright e pela admoestao do Parlamento, 
em 1572; terceiro, aos clrigos e leigos, no necessariamente no-conformistas, que praticavam a sria piedade calvinista; quarto, aos "calvinistas rgidos", que 
aplaudiam o Snodo de Dort e que foram alcunhados de puritanos doutrinrios por outros anglicanos que no concordavam com eles; quinto, a certos grupos da nobreza 
que exibiam respeito pblico pela questes relacionadas a Deus, pelas leis da Inglaterra e pelos direitos dos sditos comuns. Ver J. I. Packer, Entre os Gigantes 
de Deus: Uma Viso Puritana da Vida Crist (So Jos dos Campos: Fiel, 1996), 33. 
Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 274. O presbiterianismo teve uma forte influncia no cenrio ingls entre 1643 e 1648. 
Ibid., 276-277. 
Ibid., 277. 
Em 1616, um grupo vindo da Holanda, sob a liderana de Henry Jacob fundou uma congregao de independentes (ou congregacionais) em Southwark, Londres. Em 1658, eles 
adotaram uma verso levemente modificada da Confisso de Westminster, a Declarao de Savoy (1658). Durante o perodo conhecido como Commonwealth, eles tornaram-se 
mais poderosos que os presbiterianos. (Ver Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 274-275. Ver ainda o captulo "Henry Jacob e a Primeira Igreja Congregacional" 
em Lloyd-Jones, Os Puritanos, 159-180.) 
Justo L. Gonzlez, Uma Histria Ilustrada do Cristianismo - A Era dos Dogmas e das Dvidas (So Paulo: Vida Nova, 1990), 50-57. 
No ano de 1633, foi fundada a primeira congregao batista em Londres, dirigida por John Spilsbury. Eles sustentavam o batismo de imerso s de adultos, autonomia 
da igreja local, separao entre Igreja e Estado e a teologia reformada, tendo sado da igreja congregacional de Henry Jacob. Eles ficaram conhecidos como batistas 
particulares. Outro grupo batista, surgido antes, em cerca de 1612, na Holanda, e que emigrara para a Inglaterra sob a liderana de Thomas Helwis, enfatizava a teologia 
arminiana e o batismo por asperso, s de adultos, sendo conhecido como batistas gerais. (Ver Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 275-276. Ver tambm Zaqueu 
Moreira de Oliveira, Liberdade e Exclusivismo: Ensaio sobre os Batistas Ingleses [Rio de Janeiro e Recife: Horizontal/STBNB, 1997], 25-120 e Martin D. Hewitt, Razes 
da Tradio Batista [So Leopoldo: IEPG, 1993].) 
Nesta poca no havia bancos confortveis nas catedrais, e as pessoas, para se sentarem, tinham de trazer um banquinho de trs pernas que era utilizado para se tirar 
leite das vacas. Segundo a tradio, Jenny Geddes foi acusada de ter jogado seu banquinho na cabea de um bispo anglicano, por sua audcia de "rezar missa em meu 
ouvido," na St. Giles' Church, em Edimburgo. (Ver Cairns, O Cristianismo Atravs dos Sculos, 277, e Douglas Kelly, "Puritanismo," no Jornal Os Puritanos 2/7 [1994], 
16.) 
Gonzlez, A Era dos Dogmas e das Dvidas, 57-65. 
J. M. Frame, "A Confisso de F de Westminster," em Walter Elwell, ed., Enciclopdia Histrico-Teolgica da Igreja Crist, vol. I (So Paulo: Vida Nova, 1988), 331-332. 
Guilherme Kerr, A Assemblia de Westminster (So Jos dos Campos: Fiel, 1992), 5, 11. 
Ibid., 13. 
Para mais informaes sobre a participao dos escoceses na Assemblia de Westminster, ver Iain H. Murray, "The Scots at the Westminster Assembly: With Special References 
to the Dispute on Church Government and its Aftermath," The Banner of Truth 371-372 (1994), 6-40. 
Philip Schaff, The Creeds of Christendom, vol. I (Nova York: Harper & Brothers, 1931), 855-856. Ver tambm F para Hoje: Confisso de F Batista de 1689 (So Jos 
dos Campos: Fiel, 1991), 6. A Confisso de F Batista de 1689 foi impressa pela primeira vez em 1677. Depois, ela foi reimpressa em 1688, e no perodo de 3 a 11 
de julho de 1689 representantes de cerca de cem congregaes batistas da Inglaterra e Pas de Gales reuniram-se em Londres para endoss-la. Nos Estados Unidos, ela 
foi adotada pela Associao Batista reunida na Filadlfia em 25 de setembro de 1742, e passou a ser conhecida como a Confisso de Filadlfia. Ela baseou-se amplamente 
na Confisso de Westminster, de 1646, com ajustes inspirados na Declarao de Savoy, de 1658, para um sistema congregacional. 
Justo L. Gonzlez, A Era dos Dogmas e das Dvidas, 65-77. Para as razes do declnio da influncia presbiteriana, ver o captulo "Perplexidades Puritanas: Algumas 
Lies de 1640-1662," em Lloyd-Jones, Os Puritanos, 66-84. Ver ainda Gonzlez, A Era dos Dogmas e das Dvidas, 65-77. 
Ibid., 77-80. Herroll Hulse, "O Significado do Termo Puritano," em Jornal Os Puritanos 5/1 (1997), 13. 
Recomendaria, sobre esse ponto, a leitura de Alberto Antoniazzi et al., Nem Anjos nem Demnios: Interpretaes Sociolgicas do Pentecostalismo (Petrpolis: Vozes, 
1994), 67-159. Em meu entendimento, Paul Freston, conhecido socilogo evanglico, prova este ponto em seu ensaio "Breve Histria do Pentecostalismo Brasileiro," 
na referida obra. 
A meu ver, isto no precisaria de demonstrao, mas a obra acima citada e livros-texto de Histria da Igreja (por exemplo, O Cristianismo Atravs dos Sculos, de 
Cairns, e Uma Histria Ilustrada do Cristianismo, vols. 8-10, de Gonzlez, ambos de Edies Vida Nova) provam este ponto. 
Ver o captulo "Joo Calvino" em D. M. Lloyd-Jones, Discernindo os Tempos (So Paulo: PES, 1994), 42-43. Ver tambm Bernard Ramm, "A Teologia de Schleiermacher a 
Barth e Bultmann", em Stanley Gundry, ed., Teologia Contempornea (So Paulo: Mundo Cristo, 1987), 36-40. 
Karl Barth, "A Eleio de Deus em Graa", em Walter Altmann, ed., Karl Barth - Ddiva e Louvor: Artigos Selecionados (So Leopoldo: Sinodal, 1986), 237-255. Para 
uma avaliao reformada das doutrinas bartianas de Escritura, predestinao e criao, ver A. Polman, Barth (Recife: Cruzada de Literatura Evanglica do Brasil, 
1969). Ver tambm Cornelius van Til, Christianity and Barthianism (Filadlfia: Presbyterian and Reformed, 1962). 
Os Cnones de Dort - Os Cinco Artigos de F sobre o Arminianismo (So Paulo: Cultura Crist, s/d). 
Ver a excelente resposta  posio de Rogers em John H. Gerstner, "A Doutrina da Igreja sobre a Inspirao Bblica," em James Montgomery Boice, ed., O Alicerce da 
Autoridade Bblica (So Paulo: Vida Nova, 1989), 23-68. 
Para a influncia, algo mitigada, de T. F. Torrance, ver por exemplo R. T. Kendall, "A Modificao Puritana da Teologia de Calvino," em Calvino e Sua Influncia 
no Mundo Ocidental, 245-264. 
Ver captulo: "A Espiritualidade de John Owen", em J. I. Packer, Entre os Gigantes de Deus, 209. 
Para esta acusao, ver, por exemplo, o ensaio "A Obsesso das Bruxas na Europa dos Sculos XVI e XVII", em H. R. Trevor-Roper, Religio, Reforma e Transformao 
Social (Lisboa: Editorial Presena e Martins Fontes, 1981), 73-146. 
Timothy George, Teologia dos Reformadores (So Paulo: Vida Nova, 1993), 62-63. George descreve Anfechtung como "pavor, desespero, sensao de perdio, agresso 
e ansiedade. Lutero usou o termo para descrever os intensos conflitos espirituais que afligiam sua conscincia em sua torturante busca do Deus misericordioso" (p. 
62). 
Joo Calvino, As Institutas ou Tratado da Religio Crist, 1.16-18 (So Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985), 213-254. 
Sobre esse ponto, ver o artigo de Paulo Anglada, "A Confisso de F  Realmente Calvinista?," Fides Reformata 3/2 (Jul-Ago 1998), 5-24. 
Ver a esse respeito J. I. Packer, Evangelizao e Soberania de Deus (So Paulo: Vida Nova, 1990), 46-49. 
Ver captulos 14 ("Da F Salvadora") e 18 ("Da Certeza da Graa e da Salvao") de A Confisso de F (So Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991), 75-77, 93-97. 
Ver tambm Augustus Nicodemus Lopes, "Segurana da Salvao - Conceito Puritano" em Jornal Os Puritanos 4/2 (1996), 12-17 e 4/3 (1996), 29-33. A Confisso de F 
Batista de 1689 afirma os mesmos pontos. Ver F para Hoje: Confisso de F Batista de 1689, 31-32, 38-40. 
"Breve Catecismo," em A Confisso de F, 407-409. 
Hans Ulrich Reifler, A tica dos Dez Mandamentos (So Paulo: Vida Nova, 1992), 26-27. Ver tambm Ernest F. Kevan, The Grace of Law: A Study in Puritan Theology (Ligonier, 
Pensilvnia: Soli Deo Gloria, 1993). 
Isto est no captulo 1 ("Da Escritura Sagrada") da Confisso de Westminster. Ver A Confisso de F, 3-12. Ver tambm Augustus Nicodemus Lopes, Calvino, o Telogo 
do Esprito Santo: Seu Ensino sobre o Esprito Santo e a Palavra de Deus (So Paulo: PES, s/d) e Derek Thomas, A Viso Puritana das Escrituras (So Paulo: Os Puritanos, 
1998). 
Ver, por exemplo, Samuel Bolton, Nathaniel Vincent e Thomas Watson, Os Puritanos e a Converso (So Paulo: PES, 1990), e Joseph Alleine, Um Guia Seguro para o Cu 
(So Paulo: PES, 1987). Ver tambm os seguintes captulos: "O Conceito Puritano acerca da Pregao do Evangelho" e "O Evangelismo dos Puritanos", em Packer, Entre 
os Gigantes de Deus, 177-192 e 313-333. 
Para uma viso de Calvino como evangelista e seu trabalho pastoral em Genebra, ver Joel R. Beek, A Tocha dos Puritanos - Evangelizao Bblica (So Paulo: PES, 1996), 
27-41. Ver ainda o artigo de Antnio Carlos Barro, "A Conscincia Missionria de Joo Calvino," Fides Reformata 3/1 (Jan-Jun 1998), 38-49. 
Para uma excelente exposio deste pargrafo, ver Leland Ryken, Santos no Mundo: Os Puritanos como Eles Realmente Eram (So Jos dos Campos: Fiel, 1992). 
Ibid., 217. 
Douglas Wilson, "O Puritano Liberado," Jornal Os Puritanos 5/1 (1997), 16. C. S. Lewis chama os primeiros puritanos de "jovens, vorazes, intelectuais progressistas, 
muito elegantes e atualizados," e diz que "no havia animosidade entre puritanos e humanistas. Eles eram freqentemente as mesmas pessoas, e quase sempre o mesmo 
tipo de pessoa: os jovens no Movimento, os impacientes progressistas exigindo uma 'limpeza purificadora'" (Ryken, Santos no Mundo, 19, 177). 
Ibid., 217. 
Algum afirmou: "A qualidade extra-mundana dos puritanos no era retraimento do mundo, mas um viver no mundo de acordo com padres extra-mundanos" (Ibid., 278, n.23). 
Christopher Hill, O Eleito de Deus: Oliver Cromwell e a Revoluo Inglesa (So Paulo: Companhia das Letras, 1990), 196-197. Para o impacto das doutrinas reformadas 
da criao e providncia no surgimento das cincias modernas ver J. Hooykaas, A Religio e o Desenvolvimento da Cincia Moderna (Braslia: Universidade de Braslia, 
1988). 
George, Teologia dos Reformadores, 213.  significativo ver que Calvino s dedicou 65 pginas a este assunto, tendo escrito 69 pginas sobre a orao, que  o captulo 
precedente. Ver Joo Calvino, As Institutas ou Tratado da Religio Crist, 3.20-24, 314-449. Isto em mais de 1500 pginas! A eleio, em vez de ser considerada juntamente 
com a providncia de Deus, encerra sua considerao sobre a salvao, depois da f, regenerao e justificao, como explicao de como e porque podemos chegar  
f, ensinando-nos a ver a salvao como o triunfo da livre graa de Deus e base de nosso louvor, segurana, humildade e servio. Ver, sobre este ponto, R. C. Sproul, 
Eleitos de Deus (So Paulo: Editora Cultura Crist, 1998), 12-13: " importante para ns vermos que a doutrina da predestinao no foi inventada por Joo Calvino. 
No h nada na viso de Calvino sobre a predestinao que no tenha sido proposto anteriormente por Lutero, e por Agostinho antes dele (...).  digno de nota que, 
em seu famoso tratado sobre teologia, As Institutas da Religio Crist, Joo Calvino escreveu escassamente sobre o assunto. Lutero escreveu mais sobre a predestinao 
do que Calvino." 
Hill, O Eleito de Deus, 198, 205. 
Ruth Rouse e Stephen C. Neill, eds., A History of the Ecumenical Movement, 1517-1948 (Londres: SPCK, 1954), 82, 146. Citado por Praic Ramon, "A Reformed Vision 
of Unity," Reformed World 47/2 (1997), 91. 
Em parte, a Reforma do sculo XVI  fruto das tenses existentes dentro do sistema teolgico de Agostinho (354-430) entre sua soteriologia (sua doutrina da salvao) 
e sua eclesiologia (sua doutrina da igreja). Ver R. K. McGregor Wrigth, No Place for Sovereignty: Whats Wrong with Freewill Theism (Downers Grove, Illinois: IVP, 
1996), 22-24. Ver tambm Colin Brown, Filosofia e F Crist: Um Esboo Histrico desde a Idade Mdia at o Presente (So Paulo: Vida Nova, 1989), 13-15. 
Ele exps o que C.S. Lewis (1898-1963) chamaria de "cristianismo puro e simples." Para uma avaliao judiciosa da teologia de Richard Baxter (1615-1691), ver o captulo 
"A Doutrina da Justificao - Desenvolvimento e Declnio entre os Puritanos", em Packer, Entre os Gigantes de Deus, 163-176. 
William Ames (1576-1633), nascido na Inglaterra, foi professor na Universidade de Franeker, na Holanda, e conselheiro do presidente do Snodo de Dort, Johannes Bogerman, 
sendo um dos fundadores do congregacionalismo entre os puritanos, exercendo profunda influncia entre eles na Nova Inglaterra (ver William Ames, The Marrow of Theology 
[Grand Rapids: Baker Book House, 1997]). Esta obra, que ensina a "doutrina de viver para Deus" era usada como livro-texto de teologia pelos alunos dos Colgios de 
Harvard e Yale, ao tempo de sua fundao. Cotton Mather (1663-1728), de Boston, o chamou de "aquele doutor profundo, sublime, sutil, irrefutvel - sim, aquele doutor 
angelical." 
Ver o captulo "Joo Calvino e George Whitefield" em Lloyd-Jones, Os Puritanos, 130-131. 
Como, num contexto diferente, Henri Strohl provou muito bem em sua obra O Pensamento da Reforma (So Paulo: ASTE, 1967). O mesmo ponto  enfatizado por R. C. Sproul, 
Como Viver e Agradar a Deus - Um Guia Prtico para a Vida Crist (So Paulo: Cultura Crist, 1998), 203-207. 
Para um interessante pano de fundo para esta declarao, ver D. M. Lloyd-Jones, Cartas 1919-1981 (So Paulo: PES, 1996), 241-246. Trata-se da correspondncia de 
Lloyd-Jones com Klass Runia e John Schep, e sua tentativa de mediao num debate ocorrido na Igrejas Reformadas da Austrlia, em 1969, sobre o significado da expresso 
"derramamento do Esprito" e suas implicaes para uma teologia do avivamento. Sobre a posio de Lloyd-Jones ver Augustus Nicodemus Lopes, "Martyn Lloyd-Jones, 
John Stott e 1 Co 12.13: O Debate sobre o Batismo com o Esprito Santo", Fides Reformata 1/1 (Jan-Jun 1996), 11-24. 
Heber C. de Campos, "Crescimento da Igreja: Com Reforma ou com Reavivamento?," Fides Reformata 1/1 (Jan-Jun 1996), 34-47. 
W. A. Hoffecker, "Cisma da Nova Luz," em Walter A. Elwell, ed., Enciclopdia Histrico-Teolgica da Igreja Crist, I:286-287. Ver tambm Frans Leonard Schalkwijk, 
"Aprendendo da Histria dos Avivamentos," Fides Reformata 2/2 (Jul-Dez 1997), 61-68. 
Para a situao da igreja no Brasil, ver o excelente artigo de J. Scott Horrel e Ziel Machado, "Overview of Brazilian Theology", Vox Scripturae 7/1 (1997), 85-111.

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Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida
